O sentimento de culpa!
- Neiva Klug
- há 11 minutos
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A culpa por medo da solidão por deixar de pertencer, fortalece nossa compensação arcaica, nosso amor infantil e nosso apego aos vínculos sistêmicos.
A sensação de boa consciência é o resultado de uma fidelidade. Pertencemos a muitos sistemas, cada sistema tem suas leis, e nosso pertencimento depende da nossa fidelidade a essas leis. O preço da autonomia é sentir que não pertencemos mais como era quando estávamos crianças. Então, a culpa se desenvolve, a culpa de não ser fiel para tentar nos fazer voltar atrás e pertencer novamente como crianças!

Quando causamos danos, estamos em uma energia assassina.
E, para poder causar dano, não vemos o dano que causamos, contamos apenas com nossa justificativa: o dano que precisamos vingar!
Então começamos a perceber o dano que causamos e a nossa reação infantil, é não assumir nossa responsabilidade, por temer ser rejeitado pelo que fizemos. A rejeição, ou seja, a exclusão, pode vir de um grupo, de uma pessoa ou de nossa própria consciência.
Então dirigimos essa mesma energia assassina a nós mesmos (nos punimos com com o perfeccionismo, com a expiação ou auto punição e com a renúncia a alegria) para nos sentirmos livres de culpa e continuarmos dignos de pertencer.

Essa energia assassina de expiação continuará a ferir os outros, porque impomos o nosso sentimento de culpa, nossa boa consciência, amargando a vida dos outros também.
Essa expiação por sentimento de culpa não contém amor, é um fenômeno do ego, a pessoa não olha para sua vítima, ela olha apenas para si mesma e tenta se tornar tão vítima quanto a sua vítima.
A expiação não redime ninguém, apenas permite continuar sem ver a realidade e sem agir! Se você é o culpado permite que você continue sem reparar o dano que causou e se você é a vítima, permite que você evite assumir sua própria raiva.
Assim que a pessoa decide olhar para a pessoa, vê sua dor e decide reparar o que fez, ela entra no adulto e o sentimento de culpa desaparece.
O adulto não sente culpa. Ele assume o dano e sua responsabilidade.
Ele coloca sua energia em reparar. Ele também sabe que teve que fazer o que fez, e que em um nível mais profundo ele fez o que teve que fazer.
A culpa impede crescer, impede ser adulto e estar na energia de ação criativa e adaptada.
Sentir culpa é o sinal que estamos atravessando uma etapa importante, que estamos prestes a nos separar de algo ao qual pertencemos com amor e força.
Continuar vivendo na culpa seria ficar no meio do caminho.

O que liberta é assumir a responsabilidade, as consequências dos atos, a culpa por começar a ser diferente, por se afastar, por ter causado um dano para alguém!
A partir de então estamos na reparação.
A culpa desaparece e é substituída por humildade e força.
A culpa assumida torna-se o grande motor da pessoa; segundo Hellinger a culpa é uma força divina, é a maior fonte de criatividade.
Continuar na culpa é se opor ao espírito, ao amor.
O espírito pensa e amanhã tudo o que acontece, tudo o que fazemos, e até o que fazemos errado.
Quando alguém te fere tens a possibilidade de crescer e ser criativo. As vezes caberá a nós ferir para que outros cresçam!
E isso também nos tornará criativos e humildes !

A vida é uma sucessão de polaridades. O que chamamos de mal ou mau é uma polaridade necessária.
As polaridades criam movimento, energia e vida.




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